Naquela barriga

Mora no ventre uma nova esperança,
na mãe que acolhe com amor à vida.
Naquele mundo cria-se nova aliança,
um laço que o enlaçará como guarida.
Mas pode um ventre gerar incertezas,
que vem como tortura dura realidade,
a das crianças do bolsão da pobreza,
subnutridas tristes vivem da caridade.  
Quisera ter dela esta poção de magia,
a desfazer lagrimas em sorrisos leves.
Vem dela a mania de crer numa guia,
que levo no peito um anjo me protege.
Queria dela uma estranha força de fé,
com a famosa garra de todos os dias,
que lhe faz heroína, se manter de pé,
como quem versa tristeza com poesia.

 

Toninho

13/05/2018 

 

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Amor à liberdade

A voejar tonta aterrissou na mão.
O vento soprou sobre a asa ferida,
acreditou na liberdade e partiu.
Que bom ser como borboleta.
Livre e Voar.

II

Sonhamos com a tal liberdade
mas vivemos com asas presas.
Encasulados nos acomodamos,
naquela vil zona de conforto,
que faz a inércia humana.

III

Já corri mundo para te aprisionar.
Hoje por ironia pousas em minha mão.
Como podes ver, já nem corro mais.
Mas tu tens asas, voe pelo infinito.

Toninho

 

Depois da Chuva


I

Quando vejo o arco-íris pela tarde,

inspiro-me naquela alegre criança,

a correr lépida pela rua da cidade,

a gritar: Deus pintou meia aliança!

II

Naquele momento esqueceu a chuva,

deixou-se levar pelas sete cores, que

fazia-lhe um dourado sobre sua pele.

Olhou o Céu, entoou seus louvores.

III

Naquele dia a chuva destruiu.

Só olhos tristonhos sobre danos.

Mas o arco-íris o morro coloriu,

como aliança ao fiel suburbano,

foi como afago.

 

Toninho.

Inspirado na imagem.

A calma.

Já os pássaros de regresso aos ninhos.

O sol com seus raios na colorida fusão,

afasta-se da cidade aos sons dos sinos.

O som da Ave Maria vem com emoção.

Ajoelha-se um simples e feliz cidadão,

silencia em reverencia ao espetáculo,

diante tanta beleza do Pai da criação,

no mágico instante vê-se no cenáculo.

De pé, abre os braços amplia a visão,

ao longe a cidade reflete-se nas cores,

agradecido entoa uma velha canção,

que aprendera para amenizar dores.

Calam os sinos silencio dos pássaros,

a buzina estridente estresse da noite.

com paciência segue leve seus passos,

ainda embevecido com todo o deleite.

Toninho.

19/11/2017

 

Partirás

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Um barco pela tarde é a inspiração,
no cais em total silencio adormecido.
sob a inércia iminente como prisão,
saboreia os ventos vive entorpecido.
Todo barco sabe os encantos do mar,
no singrar das águas na imensidão.
Na noite escura só a lua a iluminar,
um argonauta solitário na desilusão.
Barco é a nostalgia que veio visitar,
com lembranças ainda que tardias,
viagens de outrora no azul do mar,
são emoções oxidadas pela maresia.
A noite cairá sobre o barco na praia,
enquanto eu nesta estranha emoção,
serei junto ao barco fiel companhia,
já o lume do farol ilumina a solidão.

Toninho

06/10/2017

Inspiração na foto gentilmente cedida por Piedade Araújo Sol, que sempre tem um olhar especial para o por do Sol de Portugal. Confiram no link olharemtonsdeflash

 

Meu verso pronto.

olhos

O teu sorriso será minha poesia,
em versos rebuscados lapidados,
numa inspiração feliz da elegia
daqueles poetas bem iluminados.
Que será a poesia na inspiração
linda como no pântano os lírios.
Como uma flor branca do sertão,
o mandacaru, como um colírio.
Ocultas tua face, na boca o doce
encontro. Nas entrelinhas beijo.
Misteriosa que em mim és posse,
desvendados segredos e regozijo.
Bem que te vi vir na elegância,
na rima romântica e sedutora,
tive delírios, ardi febril, ânsia,
o beijo da mulher encantadora.
Toninho
14/07/2017